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7 de fevereiro de 2017

MAM recebe retrospectiva modernista de Anita Malfatti


Ela é um dos nomes que mais são lembrados quando se fala sobre o movimento da arte moderna brasileira. Seu pioneirismo acabou por inspirar a célebre "Semana de 22". Agora, cem anos após a sua primeira exposição de arte moderna no país, sua obra é revisitada sob outro olhar, muito mais ampliado. Confira os detalhes de Anita Malfatti: 100 anos de Arte Moderna e se programe para não perdê-la.



Tudo começou na São Paulo de 1917. Após seus anos de estudo na Europa, mais precisamente na Alemanha entre 1910 a 1913; e nos Estados Unidos, de 1914 a 1916, realizou a Exposição de Pintura Moderna Anita Malfatti, foto acima, primeiro evento do gênero que seria o estopim para o movimento modernista e alteraria para sempre o curso da história da arte no Brasil.


"O Jardim" - tela de 1912

Suas obras chocaram o público, acostumados à fiel representação da realidade, por mostrar um novo e diferente movimento estético. Por exemplo, traziam paisagens construídas por meio de manchas de cores fortes e contrastantes; e, nos retratos, os enquadramentos insólitos, as deformações anatômicas e o colorido não naturalista. 


"Meu Irmão Alexandre" - tela de 1914

Que diga a obra "O Farol" de 1915, no topo desta postagem, que chegou a ser alvo de duras críticas do escritor brasileiro Monteiro Lobato a ponto de tornar esse incidente num marco histórico da carreira de Anita - pensou-se que nunca se recuperaria e que seu breve apogeu (chegou a vender 8 quadros nessa exposição) teria sido seguido de uma dolorosa e definitiva decadência -, que então era vista como moça frágil, principalmente pela deformação em sua mão direita (creio que Lobato e a sociedade da época se esqueceram dos trabalhos de outro "deformado", Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho...).


"Vista do Fort Antoine em Mônaco" - aquarela de 1925

Um século depois desse marco, o MAM traz pinturas e desenhos que pontuam diversos momentos da produção de Anita, sempre sensível às tendências artísticas a sua volta. Para além do belo conjunto expressionista que a consagrou como estopim do modernismo brasileiro, a exposição apresenta paisagens e retratos de períodos posteriores, como as refinadas pinturas naturalistas das décadas de 1920 e 1930; e aquelas mais próximas à cultura popular, presente nos trabalhos dos anos 1940 e 1950.


"Chanson de Montmartre", à esquerda, pintura de 1926; e "Vista da Roça", pintura de 1956, à direita. 

A celebração dos 100 anos de arte moderna no Brasil é uma excelente ocasião para rever o legado de Anita como artista pioneira – inspiradora da Semana de Arte Moderna de 1922 –, cuja atualidade se prolongou tanto no radicalismo com que se lançou ao retorno à ordem, na década de 1920, quanto na ousadia com que se apropriou da "maneira popular" nos últimos anos de vida - veio a falecer em 1964 -, com traços de naïf em sintonia com os trabalho de artistas como José Antonio da Silva. Trata-se, sem dúvida, de uma artista ímpar, sintonizada com seu tempo e com diferentes aspectos de um modernismo que ajudou a construir.


Exposição: Anita Malfatti: 100 Anos de Arte Moderna
Quando: de 08 de fevereiro a 30 de abril de 2017. Abertura às 20h00 de 07 de fevereiro.
Onde: Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Portão 3 - Parque do Ibirapuera, São Paulo-SP.
Horários: de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00. A bilheteria fecha às 17h30.
Quanto: R$ 6,00 o ingresso. Gratuidade aos sábados, para menores de 10 anos, maiores de 60 anos, sócios e alunos do MAM e para funcionários de empresas e órgãos parceiros. Estudantes com carteirinha tem direito à meia-entrada. 
Informações: consulte o site ou ligue para (11) 5085-1318



Informações e imagens: reprodução /MAM



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