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11 de agosto de 2016

Vigorexia: quando o culto ao corpo se torna em obsessão


Cuidar da aparência e levar uma vida saudável é uma das bandeiras levantadas pelo +40BC, mas quando frequentar diariamente a academia em busca de crescer e ganhar músculos se torna uma obsessão, capaz de levar o cara para o tudo ou nada e até se afastar da família e dos amigos? Conheça os efeitos nocivos da vigorexia e veja se você não está exagerando.

Em plena polêmia do doping e banimento de atletas russos da Rio 2016, uma matéria interessante do jornal espanhol El País trouxe à tona os prós e contras do uso de anabolizantes e até de dietas mal-elaboradas por aqueles que os especialistas identificam sofrer de vigorexia, indivíduos que nunca se contentam com os resultados alcançados por serem incapazes de se enxergarem suficientemente fortes e ficam obcecados com os exercícios e a alimentação para conseguirem cada vez mais musculatura.

De acordo com o professor Luís García Alonso, da Faculdade de Psicologia da Universidade Complutense de Madri, o vigoréxico típico seria um homem de 18 a 35 anos que desenvolve tendências obsessivo-compulsivas e viciantes, experiências negativas com seu próprio físico e baixa autoestima. Já o grupo de risco são exatamente os frequentadores assíduos de academia, estimando-se entre 35% a 42%, segundo estudo realizado na Espanha e na França.



Segundo o professor Carlos Fanjul, da Universidade Jaime I em Castellón, Espanha, e autor do livro Vigorexia: Una Mirada Desde la Publicidad (inédito no Brasil), tudo começa com um simples elogio.


"A primeira coisa que um vigoréxico recebe é um reforço social: seu entorno o parabeniza por sua nova condição física."

A partir daí, o imediatismo começa a imperar porque ganhar massa muscular é um processo que requer tempo. Os mais afoitos ou seguem rituais alimentares bem singulares e, às vezes, alterados ou recorrem ao mercado negro, acessível na internet, para obter anabolizantes de origem incerta ou injeções de hormônio do crescimento. 

No final, o corpo reage ao castigo: músculos hipertrofiados até o limite, retorno da acne, ginecomastia (crescimento irregular das mamas), sudorese excessiva, alterações bruscas de temperamento como irritabilidade e, nos casos mais graves, complicações hepáticas e disfunção erétil, por exemplo.

Segundo o jornal, quase 80% do que se encontra na internet sobre ganho de massa muscular é falso ou errado, valendo o mesmo para as substâncias vendidas na internet que nunca se sabe o que está contido na fórmula. 




Nem tudo é obsessão


Por outro lado, há quem defenda o uso determinadas substâncias se isso for feito de maneira responsável e sob controle. Miguel Ángel Peraita, especialista em medicina biológica em um grande clube esportivo de Madri, é da mesma opinião. Ele destaca que uma alimentação inadequada pode acabar sendo mais nociva do que o uso controlado de anabolizantes. 

"Com análises prévias e metas vigiadas pelo médico, a diferença entre um medicamento e um veneno é a dose. Desde que não se caia em mãos inexperientes e pouco qualificadas, o modelamento do corpo não tem por que acarretar consequências negativas. Ganhar musculatura é tão lícito quanto colocar silicone nos seios."

Portanto, fica aquela velha dica: planejamento, dedicação, foco e profissionais capacitados de verdade são fundamentais para se atingir qualquer objetivo. Se você quer esculpir seu corpo, não pegue atalhos ou se entupa de suplementos e substâncias ilícitas. Invista em exames clínicos de tempos e tempos, num bom nutricionista e personal trainer. Com dedicação e esforço, você chega lá grande e saudável. 


Com informações do jornal El País
Imagens: reprodução



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