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9 de junho de 2016

Prós e contras das dietas vegana e vegetariana


A dieta vegana não é só modismo de celebridades e causa dos defensores dos direitos dos animais e sim uma tendência mundial que vem ganhando força a cada ano, mas nem por isso deixou de ser o epicentro de um debate acalorado: afinal, até quanto não consumir produtos de origem animal pode ajudar ou prejudicar a saúde?


De acordo com a BBC Brasilo número de pessoas que se tornam veganas aumentou 350% na última década só no Reino Unido. Tal fato vem alarmando alguns especialistas, sobretudo quando se adota essa dieta por puro modismo. É o que defende Catherine Collins, da Associação Dietética Britânica. 


"Quando as pessoas se tornam veganas devido a alguma religião, tendem a saber como fazê-lo corretamente. Em outras palavras: sabem como compensar as deficiências nutricionais decorrentes da não ingestão de carne e produtos lácteos. Mas não temos observado isso com pessoas que se tornam veganas para ficarem parecidas com outras pessoas que veem na internet. Essas pessoas veem fotos de [da atriz] Gwyneth Paltrow e querem fazer a mesma coisa. Querem estar na moda, mas estão colocando em risco sua própria saúde a longo prazo"

Antes de se adotar uma dieta vegana é preciso estar saudável e o primeiro passo é se submeter a exames de sangue regularmente para determinar se há carência de algum nutriente em especial.



O que falta e como repor?


Por excluir qualquer alimentos de origem animal - há ainda os mais ortodoxos que se quer cozinham as verduras e são conhecidos como crudiveganismo -, acaba por dividir os especialistas, principalmente os contrários que alertam para a falta de proteínas, vitaminas e nutrientes importantes, como explicou Jesús Román, presidente da Sociedade Espanhola de Nutrição e Ciências da Alimentação, em entrevista à BBC Mundo


"Quando um grupo de alimentos é eliminado, neste caso de forma muito ampla, uma vez que são descartados todos os alimentos de origem animal, há uma série de nutrientes que são muito difíceis de se obter comendo apenas verduras".

Veja a seguir o que falta na dieta vegana que é essencial para saúde e como repor, segundo Jesús Román.

Vitamina B-12: ela é a "grande vilã" da dieta vegana porque é essencial para o desenvolvimento de glóbulos vermelhos saudáveis e pode ajudar a prevenir a anemia, mas só é encontrada em produtos de origem animal. E o mais alarmante é que sua carência demora para se manifestar e por isso o vegano deve sempre fazer exames para suprir com suplementos dessa vitamina, caso necessite.



Proteínas: elemento chave na dieta de qualquer pessoa, ajudam a construir e manter saudáveis os músculos, os órgãos, a pele e os ossos. Se ingerir exclusivamente verduras e legumes, é recomendável misturar diferentes alimentos - cereais com legumes, por exemplo - como frutas secas, sementes, produtos à base de soja, legumes, lentinhas e grãos, de forma a obter proteína suficiente.  

Ferro, cálcio e ácidos graxos ômega-3: o ferro é vital para a energia e para o correto funcionamento dos glóbulos vermelhos, mas é difícil ingeri-lo em quantidade suficiente em uma dieta vegana porque é absorvido mais facilmente a partir de produtos de origem animal. Portanto, deve-se comer grandes porções de folhas verdes escuras, cereais integrais, feijão ou ervilha, lentilha, cereais enriquecidos e frutas secas acompanhados daqueles ricos em vitamina C (repolho, tomate, brócolis, morangos e limões, por exemplo) para aumentar a sua absorção.



Por outro lado, o cálcio é importante para manter os ossos e dentes fortes. Dessa forma, recomenda-se que usem substitutos como o leite de soja ou suco de frutas, cereais ou mesmo tofu com adição de cálcio. Não se esqueça que folhas verdes escuras, como brócolis e couve, também contêm cálcio, mas sozinhas não são suficientes para suprir a necessidade de cálcio do organismo.

Já os ácidos graxos ômega-3 ajudam a promover a saúde cardiovascular, o tecido saudável, o desenvolvimento do olho e do cérebro. Sem ovos ou peixes na dieta, a recomendação é buscar produtos enriquecidos com ácidos graxos ômega-3, como linhaça e chia, mas talvez seja preciso ingerir um suplemento nutricional, como óleo de borragem, para suprir essa carência.



Adequar para não faltar


Para que tanto a dieta vegetariana quanto a vegana deem certo, ou seja, para que se possa aproveitar todos os seus benefícios é preciso que sejam não só adequadas a cada necessidade pessoal, como bem planejadas. É o que defende Associação Norte-Americana de Dietética, num documento de posicionamento, de acordo com jornal El País Brasil


"Adequadamente planejadas, incluindo as dietas totalmente vegetarianas ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem proporcionar benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças. As dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para todas as etapas do ciclo vital, incluindo a gravidez, a lactação, a infância e a adolescência, assim como para os atletas"

Fora a questão de ser ou não vegano ou vegetariano, há realmente um conselho que tem cara de ser benéfico. Em geral, temos ingestão bem pequena de alimentos de origem vegetal e nossa saúde seria favorecida se trocássemos fontes alimentares que não são vegetais pelas que são. A Organização Mundial da Saúde - OMS, assim como outras de igual prestígio, estabelece o objetivo da ingestão mínima de 400 gramas de vegetais (frutas, verduras e hortaliças) por dia.

Por fim, voltar os olhos para os vegetais (não é obrigatório pensar no veganismo) implicaria ao mesmo tempo uma gestão dos recursos planetários mais eficiente e sustentável. Essa é pelo menos uma das conclusões do interessante estudo publicado há pouco mais de um ano na prestigiada revista Nature. De modo que, o que quer que você faça com o resto da sua comida, pense com frequência no verde: o mundo – e a sua saúde– agradecerão.


Com informações de BBC Brasil e El País Brasil


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