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15 de fevereiro de 2016

Exposição sobre arte da nova Berlim está em cartaz no Rio


Desde a queda do Muro, a capital da Alemanha se tornou em uma das mais importantes capitais culturais da Europa Central, sendo hoje em dia considerada um dos principais centros de arte contemporânea do planeta.

A exposição, que traz pela primeira vez ao Brasil trabalhos de 29 artistas fortemente influenciados pelo contexto artístico, social e político alemão dessa nova Berlim, que se reergueu das cinzas após duas grandes guerras e ficar divida por quase três décadas, foi sucesso em sua passagem por Belo Horizonte e promete repetir o mesmo feito agora no Rio. 



Zeitgeist


A exposição Zeitgeist traz amostra consistente da respeitada comunidade artística que se concentra na cidade de Berlim, num movimento que teve início após o fim da Guerra Fria, levando a multiplicidade de olhares para os símbolos das ruínas e para a nova metrópole que se ergue em aspectos de vanguarda tecnológica e de multiculturalismo. 

Idealizada pelo Instituto Goethe, Zeitgeist se refere ao termo da filosofia alemã que designa o "espírito de uma época", a partir do qual evoluem a arte, a cultura e as relações humanas. 

As obras que a compõem apresentam diversas técnicas e estilos: pintura, fotografia, videoarte, performance, instalações e a cultura dos famosos clubes do underground berlinense. Para vivenciar melhor a realidade cultural e artística da Berlim contemporânea, o visitante pode percorrer seis "trilhas" conceituais idealizadas pela curadoria: 



Tempo que corre e tempo estagnado: aborda questões que transitam entre aceleração e estagnação, tempo-espaço e tempo próprio, presente e futuro. Artistas como Michael Wesely e Mark Formanek aprofundam esses dilemas e lidam com as diferentes noções de tempo na terra dividida. Standard Time, de Mark Formanek, é uma obra que questiona o desperdício do tempo por meio de um relógio de 4 x 9 metros constituído por 16 pessoas, minuto por minuto, durante 12 horas. A performance será apresentada durante 12 horas ininterruptas em todos os finais de semana da exposição.

A ruína como categoria estética: a busca do sentido de beleza entre marcas de destruição, abandono, deterioração e devastação humana, explorados pelas fotografias de grande formato de Frank Thiel e Thomas Florschuetz, pelo vídeo de Cyprien Gaillard e projeção de sete mil fotografias individuais de Tobias Zielony.

Eterna construção e demolição: permeiam toda a exposição, entre a fúria construtiva que deseja apagar o passado e a melancolia associada ao abandono de muitas construções e espaços em ruínas. A instalação de Julius Von Bismark e Julian Charrière, que promete ser a obra de maior impacto, é composta por 12 betoneiras que formam uma "máquina de erosão", projetada para acelerar a decomposição, cujos tambores contêm detritos arquitetônicos de vários edifícios de Berlim. A rotação dos misturadores transforma essas pedras em formas redondas, orgânicas. Durante um longo período de tempo e através de impacto contínuo, os tijolos são transformados em seixos e, finalmente, se tornam pó. Esse processo torna-se tangível por ruído, nuvens de poeira e vibração.



O vazio e o provisório: uma tentativa de elaboração das formas criativas, espontâneas e muitas vezes ilegais de ocupação dos grandes espaços baldios ou semidestruídos que o pós-guerra gerou na cidade. A grande quantidade de usos temporários que foram ocorrendo acabou se mostrando benéfica sobretudo para a cena cultural, pois onde não há nada tudo é possível. Em sua pintura, Thomas Scheibitz se vale de extremos (formas duras e estruturas claras se mesclam com elementos flexíveis em ousadas colorações), enquanto a melancolia de Sergej Jensen espalha tons de cinza e marrom sobre restos de tecidos puídos e simples panos de saco, usados como base para as pinturas. Norbert Bisky é influenciado por uma variedade de referências, desde imagens de heróis e realismo socialista até mitologia, religião e cotidiano, como na pop art. Franz Ackermann, por sua vez, transforma mapas, anotações e cadernos de viagens em grandes pinturas a óleo.

Hedonismo cruel: descortinam as peculiaridades de Berlin Mitte, espécie de "terra de ninguém" onde surgiu uma curiosa e original cena de clubs, que fez brotar das ruínas as primeiras festas em espaços improvisados e usados temporariamente. Sobre esse segmento se debruçam as fotografias que compõem as séries Kubus, de Friederike Von Rauch, e Temporary Spaces, de Martin Eberle, além da performance de Marc Brandenburg (voluntários tatuados), a partir de motivos extraídos do cotidiano da área e da vida nos clubs. Os vídeos de Julian Rosefeldt e Reynold Reynolds, ambientados nos anos 1920 e 1930, resgatam as lendárias noites de Berlim, que naquela época já tinha a fama de "Babel dos pecados".Completa este segmento a sala "Clube Berlim" com música eletrônica de sete DJs berlinenses e uma instalação visual /sonora com fotografias de Sven Marquardt e música de Marcel Dettmann.

Novos mapas e os outros modernos: investiga o redesenho da cartografia da cidade e da própria Alemanha, assim como suas relações com o resto do mundo após a queda do Muro, a partir do ponto de vista da arte que prefere se manifestar em terreno irregular, esburacado e incompleto. A nova Berlim se distancia do eurocentrismo e fertiliza a arte plural, que reconhece e abarca a diversidade do mundo. Nesse panorama se insere o vídeo A Caça, de Christian Jankowski, que incorpora novos elementos a uma visão diferenciada da arte.



Exposição: Zeitgeist - A Arte da Nova Berlim
Curadoria: Alfons Hug
Quando: até 04 de abril de 2016
Horário: 09h00 às 21h00, fechado às terças-feiras.
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB-RJ
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro - Rio de Janeiro - RJ
Entrada: Gratuita
Informações: (21) 3808-2020


Com informações de UOL, Diário do Rio e CCBB-RJ
Fotos: reprodução /divulgação

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