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20 de fevereiro de 2016

Angelo Venosa expõe suas esculturas tridimensionais


Expoente dentre os artistas da chamada "Geração 80" e conhecido pela tridimensionalidade de suas obras produzidas com auxílio de elementos tecnológicos, a exposição Giusè de Angelo Venosa apresenta três novas séries de trabalhos derivadas de sua pesquisa sobre forma. Se você for estar em São Paulo até o final de março, programe-se para não perdê-la. 


As três séries de obras apresentadas na exposição lidam de maneira distinta com essas premissas processuais. A primeira é composta por sólidos construídos em camadas, saindo diretamente da parede ou do chão ou apoiados num suporte negro em que se vê a projeção bidimensional da continuidade de sua forma (chamados de "quadros", estabelecendo uma relação entre pintura e escultura), num jogo entre a ideia e a matéria. Aqui, Venosa parte de uma forma ideal, criada no computador, para construir os volumes pela sobreposição de camadas, num resultado visualmente orgânicos.



O grupo com os maiores trabalhos da mostra apresenta o desenvolvimento da pesquisa de Venosa em busca de corpos estruturados externamente, ou seja, formas ocas delimitadas apenas por sua camada externa, como exoesqueletos. Nesses trabalhos, o embate do artista com o material torna-se mais evidente, já que as obras são formadas pela justaposição de camadas de compensado parafusadas umas nas outras. Novamente, a idealização inicial da obra é forçada contra seu limite material, que só pode ser configurado de fato durante sua realização.


Finalmente, pequenos elementos produzidos por uma impressora 3D, que se assemelham a estruturas orgânicas tais como corais - surge aí novamente a ideia do exoesqueleto - compõem conjuntos heterogêneos, como um gabinete de curiosidades da Era Moderna, como define Venosa.


"São também um forte espaço de experimentação no sentido mais direto e lúdico do termo" 

Pela integração de madeira à matéria plástica que constitui as camadas de impressão - que geram um paralelo à realização manual dos volumes em camadas do primeiro grupo de obras -, as peças ganham aparência entre orgânica e artificial, num efeito trompe l’oeil (técnica que cria ilusão de ótica). E incorporam como parte da obra os erros de processamento (os chamados stringings, quando filetes de camadas sobram para fora da peça, como fios puxados), o que subverte a objetividade do processo tecnológico, inserindo a inexatidão e o acaso.


Assim, o sentido que perpassa esses trabalhos e os conecta à trajetória de Angelo Venosa é a assimilação da indefinição como componente de um mundo cada vez mais avesso ao imperfeito e baseado na certeza. Em seus quebra-cabeças processuais que, como numa ilusão de ótica, desmontam a todo instante a aparente coerência de seus elementos integrantes, o artista nos remete constantemente ao momento presente, na forma da experiência de contato com a obra, imprevisível como o próprio processo de criação. Mais importante do que compreender um sentido estático da obra é perceber-se instigado por suas contradições, que criam uma ponte entre a assertividade científica, cerebral, e a natureza de que somos parte.



Exposição: Giusè, de Angelo Venosa
Quando: 20 de fevereiro a 28 de março de 2016
Horários: segunda-feira a sexta-feira, das 10h00 às 19h00; sábado das 11h00 às 15h00
Onde: Galeria Nara Roesler
Avenida Europa, 655 - Jardim Europa (região dos Jardins), São Paulo - SP
Entrada: gratuita
Informações: telefone (11) 3063-2344


Informações e imagens: divulgação

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